Por que este texto tem números e não adjetivos
Quase tudo que se lê sobre investir em João Pessoa é feito de adjetivos: cidade promissora, mercado aquecido, valorização contínua. Adjetivo não entra em planilha. Abaixo estão os dados públicos mais recentes que encontramos, com a fonte e a data de cada um — e, no fim, o que eles não respondem.
Todos os valores são de 2025 e 2026. Mercado muda; se você está lendo isto muito depois, confira as fontes citadas antes de usar qualquer número.
O preço do metro quadrado
O Índice FipeZAP, que acompanha anúncios de venda em 36 cidades, apurou em João Pessoa um preço médio de R$ 8.341 por metro quadrado no informe de julho de 2026. A amostra do mês teve 20.274 anúncios — não é uma estimativa de corretor, é uma base grande.
- Janeiro de 2026: R$ 7.988/m²
- Março de 2026: R$ 8.011/m²
- Junho de 2026: R$ 8.286/m²
- Julho de 2026: R$ 8.341/m²
Isso dá uma valorização acumulada de 4,45% no ano até julho e de 8,81% em doze meses. Para comparar: um apartamento de 45 m² nesse preço médio sai por cerca de R$ 375 mil. Na orla, o metro quadrado é bem mais alto que a média da cidade — a média inclui bairros que não disputam o mesmo hóspede.
Fonte: Índice FipeZAP de venda residencial, informe de julho de 2026.
Quem está comprando
Preço subindo sem giro é preço de anúncio. Em João Pessoa há giro. O índice do CRECI-PB registrou 1.308 imóveis vendidos na Grande João Pessoa no primeiro trimestre de 2026 — 474 em janeiro, 357 em fevereiro e 477 em março.
Olhando doze meses corridos, de junho de 2025 a maio de 2026, foram 5.417 imóveis negociados em João Pessoa e Cabedelo. Uma média de catorze negócios fechados por dia.
Um detalhe que importa para quem pensa em temporada: boa parte desse volume está no Altiplano, que concentra mais de 20% das vendas da capital. Altiplano é bairro de morador, não de hóspede. Volume de venda alto não significa demanda de temporada alta no mesmo endereço.
Fonte: índice CRECI 360, do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Paraíba.
A demanda que sustenta a diária
Imóvel de temporada não vive de valorização, vive de gente desembarcando. O Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto fechou 2025 com 1.890.382 passageiros — 284.577 a mais que em 2024, uma alta de 17,7%. Foi o maior crescimento entre os seis aeroportos da Aena no Nordeste, e o terminal virou o quarto da rede no país em fluxo de viajantes.
2026 seguiu subindo. Só em junho de 2026 passaram 164.875 pessoas pelo terminal, 11,9% acima de junho de 2025. A expectativa é que o aeroporto cruze a marca de dois milhões de passageiros anuais ainda no segundo semestre de 2026.
Em 29 de junho o aeroporto registrou 51 operações em um único dia — 26 pousos e 25 decolagens, número inédito para o terminal.
Fonte: Aena Brasil, dados de movimentação de 2025 e 2026.
A ocupação
A PBTUR apurou taxa de ocupação hoteleira acima de 80% na alta estação de 2025 em João Pessoa. No Natal, passou de 94%. No réveillon, chegou a 100%, e janeiro de 2026 fechou com média em torno de 90%.
A Secretaria de Turismo de João Pessoa estimou R$ 623,7 milhões movimentados na economia local só em janeiro de 2026, considerando gasto médio de R$ 700 por dia por turista entre hospedagem, alimentação, transporte e passeios.
A cidade também apareceu entre os quinze destinos mais procurados por brasileiros para o verão 2025/2026 em levantamento da Decolar.
Fontes: PBTUR e Secretaria de Turismo de João Pessoa.
O contexto que não é imobiliário
O IPS Brasil 2025 — que avalia os 5.570 municípios do país com 57 indicadores sociais e ambientais — colocou João Pessoa como a capital nordestina com melhor qualidade de vida e a nona do Brasil, com nota 67,73. Natal, a segunda do Nordeste, ficou com 66,82. O destaque de João Pessoa veio em meio ambiente, qualidade de internet e telefonia móvel.
Isso não é detalhe decorativo para quem investe em temporada. Internet boa é item de filtro nas plataformas, e uma parte crescente da demanda em João Pessoa é de quem fica semanas trabalhando de longe.
O que esses números não dizem
Aqui é onde a maioria dos textos de investimento para de falar. Vamos continuar.
- Ocupação hoteleira não é a sua ocupação. Os 90% de janeiro são de rede hoteleira, apurados em alta estação. Um apartamento isolado, sem operação profissional, não repete esse número — e nenhum imóvel sustenta 90% o ano inteiro em João Pessoa, onde a demanda cai entre abril e julho.
- Valorização de venda não é rentabilidade de aluguel. Os 8,81% em doze meses são de preço de anúncio. Você só realiza isso vendendo.
- Média da cidade não é o seu prédio. R$ 8.341/m² mistura orla e bairros sem vocação turística. O seu caso é o seu caso.
- Preço do m² alto corta a rentabilidade. Quanto mais caro você compra, mais diária precisa para fechar a mesma taxa de retorno.
- Nenhum número acima desconta custo. Receita bruta com outro nome não é projeção.
Se alguém lhe apresentar uma projeção de rentabilidade que não passa por essa lista, não é projeção — é peça de venda.
O que vemos do lado de cá
Operamos prédios na orla de João Pessoa, e a maior das nossas operações é o Edifício HIT Cabo Branco, onde administramos as 105 unidades. Escala muda o resultado: com o prédio inteiro, a limpeza, o enxoval e a manutenção têm custo por unidade menor, e a curva de ocupação se distribui melhor entre os apartamentos.
As diárias que praticamos hoje em João Pessoa ficam na faixa de R$ 150 a R$ 220, dependendo do imóvel e da época. É o número real da nossa carteira, não uma projeção. Onde o seu apartamento cairia dentro dessa faixa depende do prédio, do andar, do estado do imóvel e do mês.




