O sol nasce aqui primeiro
A Ponta do Seixas é o ponto de terra firme das Américas mais próximo da África. Isso foi verificado oficialmente em 1941 e não é força de expressão turística: o sol nasce ali antes que em qualquer outro lugar do continente americano.
Na prática, o amanhecer acontece cedo — normalmente entre cinco e cinco e meia da manhã, variando com a época do ano. Quem quer ver precisa acordar de madrugada, e é um dos poucos programas da cidade que vale o despertador.
Acima da ponta fica a falésia do Cabo Branco, com o farol no alto. Por muito tempo a própria falésia foi tida como o ponto mais oriental, até a erosão do mar recuar a rocha e passar o título para o Seixas, a menos de mil metros ao sul.
O mar é calmo porque tem recife
Quase toda a orla de João Pessoa é protegida por uma barreira de arrecifes a algumas centenas de metros da areia. É ela que segura a arrebentação e deixa a água parada, rasa e morna em boa parte do dia.
Isso muda a viagem de quem leva criança e de quem não é bom nadador. Também é o que forma as piscinas naturais: quando a maré baixa, os recifes aparecem e criam poças de água transparente no meio do mar.
As mais conhecidas são o Picãozinho, em frente a Tambaú, e a Ilha de Areia Vermelha, em Cabedelo. As duas só existem na maré baixa, então o passeio depende da tábua de marés do dia — não do seu calendário.
É uma capital que se resolve a pé
Do Bessa ao Cabo Branco são cerca de sete quilômetros de orla contínua, com calçadão do começo ao fim. Os bairros de praia são colados uns nos outros, e a distância entre um restaurante em Manaíra e a feirinha de Tambaú se faz caminhando.
Isso é raro numa capital. Significa que dá para passar uma semana sem alugar carro, usando aplicativo só para o aeroporto e para os passeios fora da cidade.
Cada bairro da orla tem um ritmo diferente, e escolher o certo importa mais que escolher o prédio. Manaíra é onde a cidade janta; Tambaú é o cartão-postal; Cabo Branco é a orla mais silenciosa; Bessa e Jardim Oceania são de morador.
O verde: o que é verdade e o que é lenda
Você vai ler em muito lugar que João Pessoa é a segunda cidade mais verde do mundo, atrás de Paris. Não é. A frase nasceu de uma declaração do prefeito da cidade durante a Eco-92, no Rio de Janeiro, e nunca correspondeu a um levantamento de instituição alguma.
O que existe de verdade é melhor que a lenda, e menos citado: a Mata do Buraquinho, 515 hectares de Mata Atlântica preservada cercados pela cidade, transformados em Jardim Botânico no ano 2000. É uma floresta inteira dentro da área urbana, com trilha aberta à visitação.
Some a isso a Lagoa — o Parque Solon de Lucena, no centro, com as palmeiras imperiais em volta — e a arborização da orla norte, no Jardim Oceania e no Bessa. A cidade é verde de fato. Só não do jeito que o slogan diz.
1585
João Pessoa foi fundada em 1585, o que a coloca entre as cidades mais antigas do Brasil. Nasceu como Cidade Real de Nossa Senhora das Neves, virou Filipeia de Nossa Senhora das Neves em 1588, depois Frederica sob domínio holandês, depois Parahyba — e só recebeu o nome atual no século XX.
Esses quatro séculos estão de pé no Centro Histórico, a poucos quilômetros da praia: o Palácio da Redenção, o Teatro Santa Roza, o Hotel Globo com a vista para o Rio Sanhauá, a Basílica de Nossa Senhora das Neves.
É o contraponto da viagem. Meia hora separa o calçadão da orla de um casario do século XVII, e quase ninguém que vem pela praia sabe disso antes de chegar.
Uma base para o litoral inteiro
João Pessoa funciona bem como ponto fixo. Ao norte, Cabedelo fica a vinte minutos e concentra o pôr do sol da Praia do Jacaré, a Fortaleza de Santa Catarina e a saída para Areia Vermelha. Mais adiante, Lucena.
Ao sul, a PB-008 leva ao Conde em cerca de quarenta minutos: Coqueirinho, Tabatinga, Carapibus e Tambaba, com falésias coloridas e piscinas naturais. Setenta quilômetros adiante está Pitimbu, com Praia Bela e Acaú.
E em junho dá para dormir na praia e subir para o São João de Campina Grande à noite. Duas horas de estrada, e a hospedagem no litoral custa bem menos que na cidade da festa.
Quando ir e quanto custa
- Setembro a fevereiro — a melhor janela. Tempo firme e mar calmo, que é quando as piscinas naturais rendem mais.
- Setembro a novembro — o melhor custo-benefício: o mesmo sol, menos gente e diárias mais baixas que na virada do ano.
- Março a agosto — o período mais chuvoso. Chove mais, mas raramente o dia inteiro, e a cidade fica vazia.
- Junho — mês do São João, quando Campina Grande enche. Reservar com antecedência muda o preço.
Nossas diárias em João Pessoa começam em R$ 150, variando com o imóvel e a temporada. Flat e apartamento costumam render mais conforto por menos em estadias de três noites ou mais, porque têm cozinha, lavanderia e mais espaço que quarto de hotel.
Onde ficar
A MAREVI administra flats, apartamentos e studios em cinco bairros da orla: Tambaú, Manaíra, Bessa, Jardim Oceania e Cabo Branco. Todos a distância de caminhada da praia, com equipe própria na cidade.
Se ainda está decidindo o bairro, vale ler o comparativo antes de escolher o prédio — é a decisão que mais muda a viagem.







